Jornal O Arrais – SC Régua no bom caminho

SC Régua no bom caminho

Artigo de Opinião do Dr. Manuel Igreja

SC da Régua No Bom Caminho:   

Por causa de uma carta que me chegou à mão para que a lesse numa finalidade que agora não vem ao caso, aqui há uns dias viajei no tempo. A sério. Fui até aos primeiros anos da década de quarenta do século passado, quando na Régua os rapazes que queriam pontapear uma bola em jeito de prática desportiva, o faziam num campo do lado de lá do rio Douro. Isto, antes de deitarem mãos à obra de constituir um campo de futebol nos lados lá para o fundo do Salgueiral, e de por acção de um grupo deles, ter nascido o Sport Clube da Régua.

 A carta que mais daqui a uns meses será tornada pública por outras vias, é de um dos rapazes desse tempo, um dos primeiros atletas do Clube que quase há setenta anos engrandece por representatividade acrescida o concelho do Peso da Régua. Abeilard Vilela, é o seu nome. Chamo-o para aqui e mais a sua carta, porque nela se espelha a realidade de um clube acabado de nascer, mas acima de tudo, porque nela se demonstra o afinco que a sociedade civil de então dedicava às tarefas de erguer e manter o clube acabado de nascer.

Aliás posso garantir que durante décadas o fenómeno se repetiu. Tudo o que foi senhor de respeito, como se dizia então, passou pelo leme desta embarcação, numa dedicação cívica que hoje responsabiliza os seus seguidores e que bem pode servir de exemplo a quem não tenha como letra morta a noção de comunidade. Convirá que se diga nisto, que apesar de tudo, nesse contexto as coisas vão-se mantendo, ainda que com muito menos presenças e essencialmente com a capacidade de entrega de uns poucos, que agarram teimosamente a nau para que ela não se afunde.

Pelas páginas deste jornal, temos visto nas últimas semanas retratada a actual realidade desportiva do Sport Clube da Régua, e se quisermos fazer justiça, nada nos custará dar desde já os parabéns a todos aqueles que dela fazem parte integrante. Não temos nela campeões propriamente ditos em termos de resultados, mas temo campeões do bom senso e da visão, que souberam e sabem atingir e manter o imprescindível equilíbrio que garante a continuidade. Não vale a pena correr atrás de ilusões e todos eles demonstram sabê-lo.

Nota-se nos resultados exibidos, ponderação e calma. Vê-se planeamento e acima de tudo uma aposta na Formação. O Sport Clube da Régua, mostra-se uma realidade concreta e definida. Movimenta mais de duzentas pessoas que dão vida e dinâmica a seis secções desportivas em actividade, ao mesmo tempo que se procura a recuperação financeira nem sempre simpática mas sempre inequivocamente essencial.

 Parece-me pois que naquilo que lhe toca, “o Régua”, está a fazer-se notar pela positiva honrando o legado dos rapazes que aplainaram a terra no campo das Figueiras. Resta à sociedade civil, individual ou colectivamente, particular, ou oficialmente, tê-lo em conta, enquanto uma das mais antigas e representativas colectividades reguenses. Será a única maneira, de para sempre se continuar a ouvir o grito de “bola ao Douro!…”, e o apelo de “mexe Mário”.

Jornal “ O Arrais”, Edição de 29 de Julho de 2010

Dr. Manuel Igreja